Intervalo.
Vai e vêm na sala dos professores. Gente trabalhando nas mesas, gente aproveitando para ver e-mails.
Coordenador de curso sentado no sofá, olhos semicerrados.
Professores bebericando café e colocando o papo em dia no outro sofá.
Entra um professor, senta-se pesadamente ao lado do coordenador, olha e avisa: "se aparecer um pai de aluna reclamando que eu mandei visitar uma exposição que tem pinto, segura a onda!"
Depois dizem que ser coordenador é bom.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
domingo, 12 de setembro de 2010
Mente Criminosa
Em casa eu tenho um cachorro, um Lhasa Apso, chamado Sansão por conta dos seus pelos. Ele é uma graça, mas tem o péssimo hábito de fazer xixi onde não deve. Melhorou um pouco com a idade, mas não o suficiente. Por isso vive na rédea curta e proibido de acessar certos espaços (o que, convenhamos, ele aprendeu a respeitar).
Hoje eu acordo, vou para a cozinha e descubro uma mancha no tapete pertinho do fogão. Imediatamente penso no Sansão e o chamo. Pergunto, brava: o que é isso????, apontando para o tapete. Ele baixa a cabeça, olha com aquele olhar absolutamente culpado e deita em posição de subserviência. Faz isso de um jeito tão engraçado que eu desarmo, mas mando que ele saia de dentro de casa. Vou limpar a sujeira. E percebo que me enganei, na verdade a mancha foi provocada por um pano de prato que absorveu água de uma bacia de limões que estava de molho (as geléias, sempre as geléias) e ficou a noite inteira pingando ao lado do fogão. Sinto-me um pouco culpada pela bronca no Sansis. Um pouco. Logo vem a dúvida: o que será que ele realmente fez?
Hoje eu acordo, vou para a cozinha e descubro uma mancha no tapete pertinho do fogão. Imediatamente penso no Sansão e o chamo. Pergunto, brava: o que é isso????, apontando para o tapete. Ele baixa a cabeça, olha com aquele olhar absolutamente culpado e deita em posição de subserviência. Faz isso de um jeito tão engraçado que eu desarmo, mas mando que ele saia de dentro de casa. Vou limpar a sujeira. E percebo que me enganei, na verdade a mancha foi provocada por um pano de prato que absorveu água de uma bacia de limões que estava de molho (as geléias, sempre as geléias) e ficou a noite inteira pingando ao lado do fogão. Sinto-me um pouco culpada pela bronca no Sansis. Um pouco. Logo vem a dúvida: o que será que ele realmente fez?
sábado, 11 de setembro de 2010
Relacionamento
Ele resolve fazer um carpaccio. Tira do frezzer, dispõe no prato e avisa: olha prá mim, enquanto eu vou lá embaixo?
Ok.
Depois de um tempo volta. Começa a temperar.
O que a gente põe além de mostarda?
Azeite e queijo ralado.
Ah. Não tem queijo ralado?
Deve ter.
Vê prá mim?
Olho na geladeira e só tem um pouco. Aviso.
Fiquei decepcionado...
(Claro, afinal queijo ralado é do meu departamento).
Ofereço um outro queijo que dá para ralar.
Não é a mesma coisa...
Não.
Eu comprei alcaparra, está fechada.
Tem aberta na geladeira.
Não tem. Já olhei
Tem.
Procura pra mim?
Procuro e acho. Entrego. E escuto:
Viu como você é importante neste relacionamento?
Ok.
Depois de um tempo volta. Começa a temperar.
O que a gente põe além de mostarda?
Azeite e queijo ralado.
Ah. Não tem queijo ralado?
Deve ter.
Vê prá mim?
Olho na geladeira e só tem um pouco. Aviso.
Fiquei decepcionado...
(Claro, afinal queijo ralado é do meu departamento).
Ofereço um outro queijo que dá para ralar.
Não é a mesma coisa...
Não.
Eu comprei alcaparra, está fechada.
Tem aberta na geladeira.
Não tem. Já olhei
Tem.
Procura pra mim?
Procuro e acho. Entrego. E escuto:
Viu como você é importante neste relacionamento?
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Feminismo
Dizem que o feminismo acomete as mulheres quando estão mais velhas. Ou não tão jovens e têm que equilibrar vida amorosa, filhos, carreira. Aí a porca torce o rabo e elas realmente se dão conta das diferenças e entraves. Bem, já passei um pouco dessa fase, pelo menos no que tange ao equilibrio dos filhos (que já estão bem crescidos) e tenho me pegado cada vez mais feminista. Não tanto com o marido, sorte a dele, mas com o mundo em geral. Principalmente quando converso com mulheres muito jovens, quase meninas ainda. Fico estarrecida em ver como o mundo gira, a lusitana roda e as coisas continuam tão parecidas. Como mulheres que trabalham, estudam e sabem que terão que se virar continuam em papéis esquisitos e dependentes emocionalmente. Essa coisa de ter o homem como espelho, de ter medo de ficar sozinha e daí ficar com qualquer traste barbado - e que às vezes nem barba tem, além de pernas que são uns gambitos. De precisar e ansiar pela aprovação masculina acima de tudo. Ficar se matando e sujeitar-se a relações desiguais, quando não perversas, para corresponder às expectativas do cara. Gente, me dá um cansaço...E daí eu deito a falação discursiva. Só depois lembro que o discurso não adianta muito. O que a adianta são as condições objetivas, como já ponderava o velho Marx. Essas mulheres jovens vão penar bastante, mas a vida vai obrigá-las a mudar certos conceitos. E a maior parte delas (espero), vai conseguir tomar o destino nas mãos sem grandes problemas. Afinal, elas vivem em um mundo que oferece alternativas. Basta querer ver.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Dúvidas científicas
Quais as diferenças entre:
Estônia e Letônia?
Estalagmite e Estalagtite?
Cláudia Lago e Claudia Quadros?
Estônia e Letônia?
Estalagmite e Estalagtite?
Cláudia Lago e Claudia Quadros?
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Querido Blog
Para começar, desculpe minha ausência. Eu sei que prometi escrever pelo menos uma vez por semana. Eu sei. Mas não está dando. Completa falta de tempo e, quando tenho tempo, estou tão cansada que não quero refletir. E você sabe que nossas conversas implicam em reflexões, mesmo quando são curtas e meramente divertimento. Viu só? Escrevi "divertimento" e já estou refletindo sobre o "entretenimento" e a apropriação ressignificante que fazemos do inglês. Entendeu o que eu digo? Escrever pra mim sempre foi assim. Por isso não escrevo tanto quanto poderia ou deveria. Hoje em dia até ler tem me colocado nesse estado pensativo e sempre conflitivo. Porque pensar necessariamente leva ao conflito e às incertezas. Vamos combinar que certezas mesmo só tem quem não pensa muito, ok? Mas o pior não é minha ausência aqui. O pior é que tenho te traído. E sou obrigada a confessar, não pedindo perdão porque nossa relação não comporta isso, mas querendo que você entenda e, se não aprove, pelo menos consiga perceber os porquês. Eu estou envolvida em outros blogs. Só para te tranquilizar, escrevo neles menos do que em ti. Mas estou planejando. Um é para colocar textos e materiais de aula. Descobri que os alunos nunca lêem a tal unidade web da Universidade, mas me seguem no twitter e no blog, então vou usar a estratégia para ver se eles se antenam. O outro é um blog que estamos construindo Ma e eu. Sobre receitas, comidas, vinhos, o sítio. Blog relação, sabe como é. Ainda não é verdadeiramente porque estamos com muitas dúvidas. Mas será. E, por fim, vou fazer (nem sequer comecei) um blog-meta. Resolvi perder os pesos extras, falando no lato sensu. Tudo que é peso, seja físico seja emocional. Como não quero misturar as coisas, precisarei construir outro blog. Só para isso. Como você vê, não há muito com o que se preocupar. Os outros blogs são fragmentos dessa vida que acontece quando estou ocupada com outras coisas (viva Lennon). Você continua a ser o primeiro e mentor, digamos assim. Sei que não é desculpa, mas prometo que vou escrever mais vezes. E que sempre que postar algo nos "filhotes", posto em você também. Podemos fazer esse acordo? Fica melhor pra você?
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Carência
Eu sei que isso soa bem chato. Mas se eu não me queixar no MEU blog, onde posso me queixar? (Já que o divã está temporariamente aposentado).
Deve ser o inferno astral. Estou com pena de minzinha. Trabalho muito, acho que praticamente só trabalho. Para quase nada, pura exploração capitalista. Chego em casa e só o cachorro me trata como eu acho que mereço, ou seja, com amor incondicional. Se me queixo pro marido ele me mostra por A mais B tudo o que eu deveria fazer para melhorar. Obviamente tendo muito mais trabalho. Se me queixo pro filho ele devolve outras queixas e chantagens emocionais. E se me queixo pros amigos eles dizem ahã e mudam de assunto, porque convenhamos, todo mundo tem mais o que fazer. Deve ser o inferno astral, mas estou me sentindo muito carente de colo e consolo.
Deve ser o inferno astral. Estou com pena de minzinha. Trabalho muito, acho que praticamente só trabalho. Para quase nada, pura exploração capitalista. Chego em casa e só o cachorro me trata como eu acho que mereço, ou seja, com amor incondicional. Se me queixo pro marido ele me mostra por A mais B tudo o que eu deveria fazer para melhorar. Obviamente tendo muito mais trabalho. Se me queixo pro filho ele devolve outras queixas e chantagens emocionais. E se me queixo pros amigos eles dizem ahã e mudam de assunto, porque convenhamos, todo mundo tem mais o que fazer. Deve ser o inferno astral, mas estou me sentindo muito carente de colo e consolo.
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