sábado, 19 de maio de 2012
O lattes
O lattes é ótimo. Todo mundo o odeia, mas ele no fundo no fundo é ótimo. Um currículo on-line. A constatação em tempo real da nossa produtividade. Ou da falta dela. E a constatação em tempo real, cotidiana, inexorável, que coisas que muito importam não pontuam. Tipo trabalhar coletivamente, organizar o coletivo. Porque o que importa mesmo é a produção individual, em revistas e periódicos que muitas vezes, se olharmos bem, não são lá essas coisas. Então, reformulando: a ideia do lattes é ótima. O que nós fazemos dele é que é o problema.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Culpa
De todas as culpas possíveis, a culpa de não escrever no Blog deve ser a mais idiota. Pois é. Mas, como a maioria das culpas, ela paralisa. Em março parei de escrever por causa da reforma que me deixou completamente atordoada (acho que esse era o objetivo inconsciente). Depois, em abril, estava muito cansada de tudo em volta. E fui deixando. As ideias foram passando, eu fui ficando, fui ficando e, de repente, comecei a ter culpa por não ter saco para escrever. O engraçado é que gosto muito de escrever, faz bem, desopila o fígado e a alma. Talvez por isso bata a culpa: pq eu gosto e não faço. É a culpa do tipo não-cuido-de-mim-mesma. Parecida com aquela de não fazer ginástica e furar a dieta. Tá vendo como escrever faz bem? Colocar tudo isso no "papel", por assim dizer, não deixa dúvidas: as culpas são na maioria das vezes completamente rí-dí-cu-las. Preto no branco. Só.
sexta-feira, 2 de março de 2012
Reforma
Chego em casa e ele diz: olha, quando fui mover o armário para a reforma, quebrei umas taças.
Umas quanto?
Umas.
Duas?
Não, um pouco mais. Vc não sentiu falta?
Bem que eu notei que a cristaleira estava mais vazia, respondo começando a sofrer.
Então, quebrei umas.
Quantas???
Não quer contar?
Melhor não. Melhor mesmo é de-sa-pe-gar.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Você sabe que
Está difícil quando (tipo coleção Amar é... lembra?):
O pedreiro começa a desmontar o banheiro ao lado e vc, mesmo assim, dorme mais uma horinha.
Vc resolve ir pagar as contas no banco e não pela internet pq não aguenta teclar.
O pensamento entra na cabeça e dissolve que nem pum com luftal.
Vc acha coisas bem interessantes para ficar olhando no espaço vazio aí da frente.
Qualquer coisa é desculpa para levantar e esquecer o que ia fazer (ou estava fazendo).
Vc passa mais tempo olhando pela janela do que para o monitor.
Vc fica com muuuuuuita preguiça de continuar blogando...
O pedreiro começa a desmontar o banheiro ao lado e vc, mesmo assim, dorme mais uma horinha.
Vc resolve ir pagar as contas no banco e não pela internet pq não aguenta teclar.
O pensamento entra na cabeça e dissolve que nem pum com luftal.
Vc acha coisas bem interessantes para ficar olhando no espaço vazio aí da frente.
Qualquer coisa é desculpa para levantar e esquecer o que ia fazer (ou estava fazendo).
Vc passa mais tempo olhando pela janela do que para o monitor.
Vc fica com muuuuuuita preguiça de continuar blogando...
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Desapega, filha, desapega!
Não há como evitar. Esses dias são de avaliação do que passou e esperança para o que inicia. Por isso são sempre meio piegas. Mesmo concordando com o poema do Drummond que nos fala da inutilidade das promessas de ano novo, não consigo deixar de fazer isso. Prometo e penso em coisas a partir da percepção do que não funcionou nesse ano que encerra. É fato que o que não funcionou geralmente é uma repetição de anos anteriores, o que por si só deveria ser um alerta. Mas sou temerária. Como disse, não consigo evitar. Então, lá vão minhas considerações sobre o ano novo. A começar pelo gasto, gastinho refrão: "Paz na terra aos homens de boa vontade". Choro todas as vezes que penso nessa frase. Só ponho um reparo no masculino e troco: "Paz na terra às pessoas de boa vontade". Que a paz delas se fortaleça e se espalhe, combatendo a violência dos sem boa vontade. De resto, sobra pouco para desejar. Até porque o que desejo é aprender a desapegar. Do excesso emocional. Do excesso em geral. Aprender a desapegar não é fácil não. Desapegar significa deixar de desejar. Só que é o desejo que nos impulsiona. Mas o excesso de desejo nos joga num ciclo vicioso de frustrações. Por isso, meu lema para o ano é "desapega, filha, desapega". Desapega dessa coisa neurótica de trabalhar tanto. Desapega do consumo excessivo (essa talvez não seja tão difícil dada minha natureza), desapega do "tem quê". Tem que acordar cedo (prá quê?) Tem que correr muito (pra quê?) tem que atender às expectativas internas e externas (prá quê?). Desapega, filha, desapega. Desacelera. Respira. Economiza energia vital para usar com o que interessa. Por que, como já disse o bardo "o que se leva dessa vida é o amor que a gente tem prá dar". Eu avisei: é uma época meio piegas...
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Hoje
Nem minha caixinha de verdades esquecidas está ajudando. Tirei várias fichas e nenhuma propriamente adequou-se. Opa! Dizem que a terceira tentativa nunca falha: "Ninguém pode inferiorizá-lo sem seu consentimento".
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Porque eu amo esse homem
-Morzinho, cê gostou do meu jeito novo de pintar os olhos?
- Gostei.
- Você nem olhou.
- Seus óculos são pretos.
- Tirei os óculos, e agora?
- Gostei.
- Valoriza meu olhar?
- Valoriza.
...
- Agora acho que você custa 1,80 o quilo.
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