segunda-feira, 28 de junho de 2010

Querido Blog

Para começar, desculpe minha ausência. Eu sei que prometi escrever pelo menos uma vez por semana. Eu sei. Mas não está dando. Completa falta de tempo e, quando tenho tempo, estou tão cansada que não quero refletir. E você sabe que nossas conversas implicam em reflexões, mesmo quando são curtas e meramente divertimento. Viu só? Escrevi "divertimento" e já estou refletindo sobre o "entretenimento" e a apropriação ressignificante que fazemos do inglês. Entendeu o que eu digo? Escrever pra mim sempre foi assim. Por isso não escrevo tanto quanto poderia ou deveria. Hoje em dia até ler tem me colocado nesse estado pensativo e sempre conflitivo. Porque pensar necessariamente leva ao conflito e às incertezas. Vamos combinar que certezas mesmo só tem quem não pensa muito, ok? Mas o pior não é minha ausência aqui. O pior é que tenho te traído. E sou obrigada a confessar, não pedindo perdão porque nossa relação não comporta isso, mas querendo que você entenda e, se não aprove, pelo menos consiga perceber os porquês. Eu estou envolvida em outros blogs. Só para te tranquilizar, escrevo neles menos do que em ti. Mas estou planejando. Um é para colocar textos e materiais de aula. Descobri que os alunos nunca lêem a tal unidade web da Universidade, mas me seguem no twitter e no blog, então vou usar a estratégia para ver se eles se antenam. O outro é um blog que estamos construindo Ma e eu. Sobre receitas, comidas, vinhos, o sítio. Blog relação, sabe como é. Ainda não é verdadeiramente porque estamos com muitas dúvidas. Mas será. E, por fim, vou fazer (nem sequer comecei) um blog-meta. Resolvi perder os pesos extras, falando no lato sensu. Tudo que é peso, seja físico seja emocional. Como não quero misturar as coisas, precisarei construir outro blog. Só para isso. Como você vê, não há muito com o que se preocupar. Os outros blogs são fragmentos dessa vida que acontece quando estou ocupada com outras coisas (viva Lennon). Você continua a ser o primeiro e mentor, digamos assim. Sei que não é desculpa, mas prometo que vou escrever mais vezes. E que sempre que postar algo nos "filhotes", posto em você também. Podemos fazer esse acordo? Fica melhor pra você?

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Carência

Eu sei que isso soa bem chato. Mas se eu não me queixar no MEU blog, onde posso me queixar? (Já que o divã está temporariamente aposentado).
Deve ser o inferno astral. Estou com pena de minzinha. Trabalho muito, acho que praticamente só trabalho. Para quase nada, pura exploração capitalista. Chego em casa e só o cachorro me trata como eu acho que mereço, ou seja, com amor incondicional. Se me queixo pro marido ele me mostra por A mais B tudo o que eu deveria fazer para melhorar. Obviamente tendo muito mais trabalho. Se me queixo pro filho ele devolve outras queixas e chantagens emocionais. E se me queixo pros amigos eles dizem ahã e mudam de assunto, porque convenhamos, todo mundo tem mais o que fazer. Deve ser o inferno astral, mas estou me sentindo muito carente de colo e consolo.

domingo, 16 de maio de 2010

O sonho

Hoje sonhei com meu pai. Estava na casa de Coqueiros, onde vivi até os 17 anos e que até hoje povoa meus sonhos caseiros. Era uma festa e eu tinha que arrumar tudo, fazer a comida e receber as pessoas. Os que deveriam me ajudar não o faziam e, ao contrário, criavam mais confusão. Como deixar uma lasanha integral desmantelar no microondas sujando tudo irremediavelmente. Os personagens são confusos, apenas eu e meu pai estamos identificados. Eu chorando a lazanha derramada, e ele assegurando-me que isso não é um problema. Mais, confirmando que eu tenho todo o direito de ficar bem chateada com os outros a minha volta e prometendo que ia falar com as pessoas. Engraçado como mesmo após oito anos de sua morte ele me tranquiliza.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Sinais

A gente percebe que não está lá muito bem da bola quando em uma noite fria de outono, depois de horas no trânsito, tendo milhões de coisas para fazer ainda, resolvemos verificar a caixa de spam. E nos dar ao trabalho de responder para um spam truqueiro, desses "Banco do Brasil pede que recadastre sua senha de 4 dígitos" algo como: HAHAHAHAHA E TEM GENTE QUE CAI NESSA? Pode até ser indício de bom humor, mas que é sinal de problemas na cachola, ah, isso é.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Ainda de luto, mas filosofando

Ando meio ausente do blog não por falta de assunto. Mas por falta de vontade. E por não querer ficar monotemática, dividindo meu luto instalado. Bom, mas estou tentando sair do luto e portanto volto a escrever. Ainda sobre a perda, mas desta feita mais reflexivamente.
Ao completar um mês da morte da Vanessa caí doente. Não é preciso ser psicanalista como ela para entender o porquê. Mas como o psicossomático é real, fui ao médico. Saí com requisições para mais exames do que consigo fazer e com uma conversa interessante. Meu médico é profunda e convictamente alopático. Narrando para ele o que tinha acontecido e como andava meu estado de espírito, disse-me: "ficar de luto é normal nessas situações. Mas se persistir a depressão, digamos por mais de três, quatro semanas, podemos tratar."
A rigor eu não tenho nada contra tratar a depressão com auxílio de medicamentos, desde que seja necessário. O excesso sempre me pareceu tentar não olhar para o buraco negro da existência, que ficará lá sempre à espera e à espreita. Até que aprendamos a conviver com ele, o que demanda um longo e nem sempre frutífero processo de autoconhecimento e crescimento (que não se consegue tomando nada especialmente). Obviamente que o necessário é a medida de cada um. No meu caso, após pensar no assunto (e, confesso, ficar seriamente tentada a pedir um prozaquinho) achei melhor não. Por vários motivos, o maior dele a memória de minha amiga. Ela, psicanalista de carteirinha, com certeza não aprovaria que eu depois de três ou quatro semanas de luto resolvesse "curar-me". Porque não se trata de cura, na verdade. Trata-se de gerenciar a vida a partir das perdas, que nos acompanham sempre. E o luto é isso, além de ser também medida da relação. Não é possível perder alguém que se ama e isso não significar quase nada na vida em geral. Pois bem. Um mês e uma semana após eu estou aqui. Gerenciando. Ainda de luto, mas caminhando. Em paz com minha dor e com meu trajeto.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Darwin ou Lamarck?

Aplicando o biologismo à filosofia. Quem será que tem razão, Darwin ou Lamarck? A gente aguenta o que está preparado para aguentar, ou se prepara para aguentar o que tem quê? Em outras palavras, a gente está adaptado para o sofrimento ou se adapta a ele?

Querida amiga

Hoje é feriado e estou aqui em casa, sentindo saudades tuas. Pensando como é inacreditável a idéia de que nunca mais vamos nos ver. Tudo isso pq ontem fui cortar o cabelo e lembrei que conheci o Soho por conta de tuas andanças pela Sampa descolada. Faz uns 26 anos... O Soho estava praticamente se afirmando e vc começou a cortar com a dona. Lembra das histórias e do teu cabelo ponta acima, ponta abaixo, que deu um susto e foi um sucesso? É desta época teu vestido Marilyn Monroe e nossas cintas ligas. Que compramos de farra da feira do Bixiga (pode?) e nunca usamos (eu pelo menos...). Pedi para meu filho resgatar da casa do pai a tua obra em tricô, a única que deves ter feito na tua curta vida. Aquela que era para ser uma ovelhinha e que nós apelidamos de cachorro morto pela semelhança. De repente fiquei com uma vontade imensa de dormir agarrada nele. Sei que será um consolo muito fugaz, mas quem sabe? Liguei pra Grace e conversamos bastante. Ela está num ânimo parecido. Uns dias difíceis, outros melhores. Para ela deve ser pior, pq tua marca é mais evidente. Gozado como as pessoas que amamos ficam inscritas na pele da gente não? E elas se vão e sentimos uma dor quase física. Quando falava com a Grace, lembrei de nossas observações sobre a forma de lidarmos com as adversidades. No fim, somos todos muito imperfeitos, só que alguns têm a imperfeição relevada por tudo que aguentam e fazem. Acho que é o caso da Grace e sua mãe narcísica. Ninguém merece... Bem, fico por aqui, esperando virar o tempo. Não é só em Floripa que a gente espera a frente fria, como tu gostavas de falar. Hoje o dia está muito dolorido. Sei que vai passar, que em algum momento vou me acostumar com tua inexistência vital. E que as lembranças virarão bocados de ternura somente. One day, but not today.