quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Hoje

Nem minha caixinha de verdades esquecidas está ajudando. Tirei várias fichas e nenhuma propriamente adequou-se. Opa! Dizem que a terceira tentativa nunca falha: "Ninguém pode inferiorizá-lo sem seu consentimento".

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Porque eu amo esse homem

-Morzinho, cê gostou do meu jeito novo de pintar os olhos?
- Gostei.
- Você nem olhou.
- Seus óculos são pretos.
- Tirei os óculos, e agora?
- Gostei.
- Valoriza meu olhar?
- Valoriza.
...
- Agora acho que você custa 1,80 o quilo.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Autoritarismo, Democracia: falar é fácil

Um dos problemas da democracia (só um dos milhões de) é o lugar da autoridade. O desconhecimento desse lugar legítimo, a transformação da autoridade em antônimo da democracia. Isso acontece muito quando tratamos com adolescentes ou adultos muito jovens. Por conta da insegurança natural do período e a falta de experiência, há uma tendência a perceber o exercício da autoridade como meramente autoritarismo (que pode ser) e nunca como forma de administrar o ambiente democrático. Às vezes isso pode acontecer em outras situações. Num congresso, por exemplo. Quando existem inúmeros trabalhos a serem apresentados e a autoridade omite-se de controlar o tempo pois esta geralmente é uma atitude antipática (e nem todos têm esse perfil). Acaba-se por colocar em risco o direito democrático de todos terem o mesmo tempo para falar e a mesma quantidade de atenção.

Escrevi o trecho acima há alguns meses, quando participava de um congresso. Pois bem, novamente em outro congresso. E, pela terceira vez, o problema se repete. Assisti a três mesas em que um dos apresentadores monopoliza a palavra e os outros ficam para apresentar, como dizem os amigos portugueses, "no vão da escada", na correria, com a platéia saindo para almoçar que ninguém é de ferro. Que a pessoa monopolize, tudo bem. Que alguns interessados em discutir o umbigo em detrimento do trabalho dos outros se interessem, tudo bem. Mas que a Mesa, a autoridade, se omita, haja paciência. Quando é que esse povo que coordena mesas em congressos vai entender que coordenar mesas em congressos implica em coordenar, inclusive cortando a palavra do sem noção que acha que todo mundo tem todo o tempo do mundo para escutá-lo(a)? Gente, não falo isso só por ser ranzinza (claro que sou!). Mas pq acho realmente que este tipo de situação demonstra como estamos no geral despreparados para o convívio democrático. E como, ao contrário, estamos propensos a aceitar gente que ganha no grito, não na discussão salutar dos conflitos possíveis. Só eu que acho isso perigoso? Pronto, falei.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Fim de casamento

Não, não estou me divorciando. Continuo casada e muito feliz com meu casamento. Mas é que existem situações na vida que mesmo sem envolver o contrato matrimonial parecem ser fim de casamento. O processo é o mesmo. Primeiro aquele incômodo constante, aquela sensação de desamor. Depois a impaciência, a enorme dificuldade de relevar aquilo que sempre se relevou. A incapacidade de fazer vista grossa, a irritação inexoravelmente crescente, e a também ascendente capacidade de observar defeitos que não víamos antes. Mesmo com tudo isso, vamos protelando o inevitável. Tapando o sol com a peneira, achando escapes, fazendo coisas bem trabalhosas com a esperança de que,num passe de mágica, ou por conta do esforço, o cristal quebrado se recupere. No fundo, sabemos que é impossível, que não há salvação para essa vida compartilhada. Só que, como estamos presos na zona de conforto dos velhos hábitos, não nos damos ao luxo de aventar a possibilidade da separação, que é um processo bem doloroso. Mas final de casamento só conserta acabando e, com o tempo, a zona de conforto vai minguando, ficando irrisória. Aí, começamos a sentir raiva do outro. O começo da redenção é quando passamos a ter raiva de nós mesmos, por nos colocarmos numa situação tão ruim. Tá certo, o outro é um saco. Mas porque nos desvalorizamos? Porque nos sujeitamos a viver menos do que merecemos? Aí, começamos a sonhar acordados com outra vida. A olhar para os lados, a procurar novos afetos, a imaginar como seria bom se estivéssemos soltos no mundo. Quanto poderíamos fazer, para quantos lugares ir... Nem todos chegam nesse momento. Não é fácil e depende da força do auto-engano. Porém se somos minimamente operantes e com instinto de sobrevivência fora da zona de extinção, chega uma hora em que começamos a pensar em materializar o sonho. E daí para agir é um passo. Tá certo, nem sempre é um passo simples. Na maioria das vezes ficamos inseguros, somos dados a recaídas, as rupturas implicam em desordens de todo o tipo. Mas quase sempre sobrevivemos. E passamos a ter uma vida melhor, sem um fardo. Pois bem, voltando ao início destas linhas: se há vida inteligente depois de um casamento fracassado, quem dirá depois de uma relação menos complexa? Se é possível acabar com casamentos ruins, deve ser possível sair de empregos ruins, amizades ruins, tarefas incômodas, né não?

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Preguiiiiiça

Minhas férias foram ótimas. Mas começaram com trabalho, um seminário em Istambul. Que eu financiei e depois fiquei pensando: fazer as férias ao redor do trabalho? Por que simplesmente não tirar férias? Mas, passada a primeira semana de trabalho, sobraram dez dias de férias reais, maravilhosas, com ocasionais idas ao email para trabalhar. Mas bem ocasionais, porque a conexão não era lá essas coisas, graças aos céus. E novamente estou por estas bandas de cá, tomando pé da situação. Da casa, organizando a vida, achando papéis, vendo contas, esquentando para o início do trabalho sem folga. Olhando para a quantidade de coisas que só empurrei para dentro do armário e que estão me esperando abrir a porta. Além de dar medo, faz-me refletir sobre a insensatez de viver neste ritmo alucinado e sem controle. Sem ócio, sem tempo para refletir. Por que a reflexão brota do embate do mundo vivido catalisada pelo ócio. Há anos penso assim, apesar de não conseguir sair deste ciclo vicioso (culpa, acredito, do excesso de energia que me indispõe ao ócio). Bem, hoje fiquei um pouco mais feliz. Lendo o Estadão, vi que Adauto Novaes fará outro de seus ciclos de debates Político Filosóficos. Desta feita exatamente sobre isso, a relação entre a preguiça, a reflexão e o domínio do tempo imposto pelo capitalismo. Viva! Será que terei tempo para participar?

terça-feira, 21 de junho de 2011

A raiz do problema

Não está em tudo o que não podemos fazer, mas sim no que desejamos fazer. Eu, por exemplo. Sou querelona. Quero tudo. Abraçar o mundo com as pernas, ficar nos oitenta e nunca nos oito. Trabalhar feito uma louca, em inúmeras frentes. Arrumar a casa compulsivamente (o que eu troco os móveis de lugar já virou piada no bairro). Cozinhar para multidões. Dar aulas, fazer trabalho administrativo, orientar alunos de Iniciação Científica e TCC, fazer pesquisa, publicar, organizar congressos e que tais, participar de eventos científicos, comissões e tudo o mais. E aprender a ser uma internauta mega blaster. Para piorar, quero ter tempo livre para ir ao sítio, ficar com o marido e os filhos, cuidar do cachorro, visitar os amigos, ir ao cinema, fazer ginástica, alimentar-me bem, viajar para Istambul. É óbvio que essa equação não pode fechar. Só de pensar nela começo a ficar com taquicardia e me dá vontade de ter um saco de papel para respirar dentro. Aí me lembro que também adoro assistir televisão (vem daí essas imagens americanas de como lidar com as crises). Eu devia era fazer terapia. Mas onde eu vou arranjar tempo para mais uma atividade?

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Resoluções

Na segunda-feira, dia 13 de junho, adotei mais uma das minhas resoluções. Decidi não ser tão complacente com a humanidade. Perdoar menos, reclamar mais. Trabalhar proativamente para melhorar o mundo. Sei lá, resolvi. Às 11:15 comecei a por em prática minha resolução. Liguei para o taxista que devia me levar até o aeroporto e, pasmem! Ele tinha me esquecido. Pediu mil perdões, implorou e conseguiu outro taxista que viria em poucos minutos. Minha natureza afável já se contorcia de pena do sujeito quando lembrei: não, chega de complacência com os erros alheios. Então, coerente, simplesmente balbuciei um ahã e desliguei. Chegou o outro taxista, deixou-me no aeroporto. Tinha tempo de sobra, resolvi comer um sanduíche. Horas na fila. A atendente pegou o pedido e eu falei: quero nota paulista (a gente informa o CPF e o governo retorna algo dos impostos). Veio a nota e eu perguntei: é nota paulista? Ela olhou e falou: ah, não saiu o CPF (óbvio, já que ela não tinha perguntado qual era para adicionar). Normalmente resmungaria e deixaria passar, mas lembrei da minha resolução e falei: pois eu quero a nota paulista. Veio a gerente, desfez a compra e registrou tudo novamente. Eu virei para trás e pedi desculpas para a fila quilométrica, cônscia da minha nova posição no mundo: "eles cobram caro demais aqui para a gente não exigir os direitos que temos". Refeita a compra, fui sentar. Escolhi uma mesa que estava cheia de pratos e comecei a tirá-los e colocar no balcão. A gerente falou: " a sra. não quer sentar naquela outra alí?" que estava limpa. Falei que não, meio sem pensar. No mesmo minuto, veio correndo uma garçonete com um pano, tirou tudo e limpou minha mesa, assustada. Sentei-me e percebi que cumprira minha resolução a risca até aquele momento. O resultado? Em menos de uma manhã já tinha conseguido me transformar numa chata de galocha.